Dallas Steele: “O jornalismo não é essa coisa que as pessoas pensam”

Todo jornalista sabe que a profissão não é para qualquer um. São horas de dedicação, editores mal humorados, prazos curtos para entrega de material, fatores que não compensam o contracheque no fim do mês.

No Brasil, o piso salarial de um repórter não passa lá dos R$ 2.200, tendo como base a capital do país. No interior, esse valor cai consideravelmente. Assim, quem trabalha nesse metiê, provavelmente já pensou em mudar de vida – trocar as pautas diárias por uma banquinha de cachorro quente, por exemplo, ou estudar uma nova área.

O americano Jim Walker foi além. Como jornalista, trilhou uma carreira de 23 anos na profissão, com passagem por várias emissoras de TV nos EUA, incluindo a KBAK (afiliada da CBS) em Bakersfield, na Califórnia; KBTV (afiliada da Fox) em Beaumont, no Texas; e a WBBH (afiliada da NBC) em Fort Myers, na Flórida.

Mas hoje, aos 44 anos, o coroa de corpo enxuto deixou as bancadas para trás, adotou o nome de Dallas Steele e ganha a vida como ator pornô, tendo contrato exclusivo com uma das gigantes da indústria do entrenimento adulto nos Estados Unidos, a TitanMen.

“Ganho muito mais dinheiro do que antes”, afirma, acrescentando que a boa renda vem também do trabalho como garoto de programa – ele não revela as cifras de seu contracheque, mas garante que vive melhor hoje do que antes. “O pornô é, no fundo, um grande marketing para o trabalho de acompanhante. As pessoas assistem aos seus filmes e querem sair com você”, diz.

A notícia sobre a mudança de carreira de Jim Walker tem percorrido o mundo nessa semana. Jornais de todas as partes publicaram a informação, inclusive os portais de notícias brasileiros. O Inside Porn é o primeiro veículo brasileiro a entrevistar o repórter, cuja a agenda ele divide entre viagens a trabalho, gravações no set de filmagem e o recente papel de estar do lado de cá, concedendo entrevistas.

A entrevista foi feita em outubro de 2016.

Se você comparar a sua carreira com um jornalista conhecido em sua região e, ao mesmo tempo, de um ator pornô com grandes possibilidades de crescimento, você diria que é mais difícil fazer nome como profissional de comunicação ou como ator pornô?

Fortalecer um nome no pornô tem sido mais fácil para mim do que foi como jornalista, principalmente a partir dessa interação que as redes sociais proporcionam. Quando eu comecei a trabalhar como repórter de TV, nós nem tínhamos a internet e a comunicação mudou muito de lá para cá. Com o pornô, a audiência é internacional. Nos jornais que eu apresentava, as pessoas que me conheciam eram aquelas que moravam na região.

Então isso significa que você faz mais dinheiro agora do que antes?

Eu realmente faço mais dinheiro agora do que antes, mas não vem apenas do pornô. Eu também trabalho como garoto de programa. O pornô é, no fundo, um grande marketing promocional para os atores que querem trabalhar como acompanhante. O público vê você atuando e pensa, “eu quero sair com esse cara”. Aliás, os brasileiros interessados podem me contratar pelo http://www.rentmen.com/DallasSteele. Eu viajo o ano inteiro pelo mundo para atender clientes. O interessante é que, quando o cliente é do exterior, ele me contrata por pelo menos duas noites e paga todas as despesas, mas tudo é negociável.

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O que você aprendeu ao longo de mais de duas décadas no jornalismo que pode ser utilizado no ofício como ator pornô?

No início, eu não imaginava que poderia transferir os conhecimentos de uma área para outra. Acaba que muitas qualidades que fazem você ter sucesso nos noticiários são as mesmas que fazem você ter sucesso no pornô. Por exemplo, é preciso ter atenção e familiaridade com a câmera, onde ela está, o que o diretor quer que você faça, suas falas, e profundo conhecimento sobre qual parte do seu corpo vai aparecer melhor para o público. No caso, além do meu melhor ângulo no rosto, agora sei qual é o lado mais favorável do meu corpo.

E qual é?

Você precisa assistir aos meus filmes para saber, mas aqui vai uma dica. Com a grana do pornô, acabei colocando silicone na bunda.

Dá para dizer que o meio jornalístico, sempre tão apressado e superficial, cansou sua beleza?

Digo que, em 23 anos, eu fiz muita coisa legal. Contei boas histórias e as minhas melhores nunca foram incêndios, assassinatos, tragédias em geral, mas histórias que pude ajudar as pessoas de um jeito ou de outro. Por outro lado, o jornalismo não é apenas essa beleza que as pessoas do lado de fora imaginam. Na televisão, por exemplo, a direção interfere bastante na forma pela qual essas histórias são contadas. Algumas vezes, mais do que deviam – o que não digo que seja apenas ruim, mas às vezes aquilo que não é importante ganha muito mais atenção do que deveria.

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A maioria dos profissionais desse ramo diz que, para se dar bem na carreira, é preciso gostar de sexo, caso contrário, você não durará muito…

Eu gosto de sexo, claro, mas eu diria que gosto de forma normal. Não sou um maluco compulsivo. Gosto de transar, gosto de homens gostosos e adoro me exibir. Em minha opinião, para ser ator pornô, mais do que ter um desejo grande por sexo, é preciso gostar do seu corpo e gostar de se exibir para os outros, sem ter vergonha do seu corpo. Além disso, acredito que para durar nessa indústria é preciso ser versátil e adaptável às mudanças – justamente como tive que me adaptar ao longo das mudanças que a comunicação passou nas últimas décadas. Você também precisa entender onde pode ser útil e quais projetos e produtoras são apropriadas para a sua idade e tipo físico.

No Brasil, o jornalismo passa também por transformações importantes, que têm impactado no ganha pão dos nossos profissionais. Salários baixos, demissões em massa, os famosos passaralhos. Qual o seu conselho para essas pessoas?

Eu não considero o pornô como uma carreira para mim ou para qualquer pessoa. É uma parada, um atalho, algo que aparece no caminho de algumas pessoas como a oportunidade de fazer uma grana extra além daquilo que você estudou para fazer profissionalmente. Se você tem um trabalho que, apesar do salário, te dá prazer, fique com ele. Mas se a coisa está ficando pior a cada dia, talvez seja realmente a hora de olhar para fora e verificar quais são as possibilidades. Aí pode ser o trabalho no pornô, no caixa do supermercado ou um piloto de aviação comercial. Tem um mundo de opções aí.

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Você considera voltar para as bancadas dos jornais?

Não.

Mas bate aquela saudade de contar boas histórias?

Sim. Eu realmente sinto falta da notícia, contar histórias e emocionar pessoas. Também sinto falta daquela loucura que é trabalhar com TV. Mas a minha popularidade está crescendo, tenho uma bagagem que me permitirá voltar a contar essas histórias, mas dessa vez, do meu próprio jeito, sem interferências. O maior desafio para mim é conseguir fazer isso, sem ficar marcado como o cara que apenas quer fazer pornô. Eu passei a acreditar que tem espaço para tudo, embora as pessoas vão sempre pensar que, ao trabalhar com sexo, eu anulo quem eu sou. Não acredito nisso. São mais de duas décadas de profissão no jornalismo e isso está bem guardado aqui.

Até agora, você estrelou 11 filmes. Você se vê permanecendo na indústria por muito tempo?

Sim. Espero ficar mais alguns anos no pornô, mas não sei definir quanto tempo me restará. Tem um monte de ator que eu gostaria de trabalhar e fazer cenas mais audaciosas envolvendo fantasias e acessórios. Tenho um contrato exclusivo com a produtora TitanMen e estou prestes a assinar o segundo contrato para o segundo ano de exclusividade.

Siga o jornalista em @JimWalkerXXX

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