Juan Lucho: “Não tenho problema em tirar a roupa”

Aos 28 anos, o ator espanhol Juan Lucho vê a carreira no pornô sob uma nova perspectiva, muito diferente daquela que tinha quando começou anos atrás. Se antes a insegurança tomava conta das primeiras cenas, agora um experiente Juan Lucho traz consigo a maturidade de quem saber o que quer – e essa mudança se reflete em seu passe, cada vez mais valorizado por empresas do ramo mundo afora, entre elas as gigantes Naughty America e Private. 

Com o sucesso batendo à porta, o ator foi lançado à fama e o cachê – que ele não revela – certamente se valorizou ao longo dos anos. São inevitáveis as comparações sem maldade com o também espanhol Nacho Vidal, um dos maiores ídolos da indústria pornô mundial. Alguns dizem que os olhos são parecidos, o desempenho em cena é semelhante, a postura pessoal do lado de fora das gravações lembra quando Vidal começou ainda jovem….

Outra semelhança é que os dois começaram nas famosas noites da Sala Bagdad. Para quem não sabe, a Sala de Fiestas Bagdad, também conhecida como El Bagdad,, é um local de espetáculos eróticos em Barcelona, na Espanha. O espaço é utilizado para shows de sexo ao vivo, atrai milhares de turistas todos os anos e é um dos mais importantes do gênero na Europa – e dali saíram nomes proeminentes na indústria do sexo. Além dos dois, Sophie Evans, Christina Bella, Holly One, Baby Pin-up, Rocco Siffredi, Belladonna e Cicciolina também saíram por aquelas salas que todos sabem o que acontece.

“Foi o próprio Nacho que me aconselhou a deixar a Sala Bagdad e seguir meus sonhos”, revela Juan. E de sonhos ele entende bem. Juan Lucho, cujo último nome foi escolhido em homenagem a um pitbull que compartilhou momentos especiais, quer seguir seu próprio caminho: vai em breve se tornar produtor do que ele chama de cinema “artesanal, hardcore e com estilo americano”, mas sem sair de Barcelona, onde vive.

Além da promissora carreira no pornô, o jovem catalão faz campanhas como modelo para marcas de roupa, posa para revistas gays e dança em festas do gênero sem nenhum problema em atrelar sua imagem aos a este público. Uma curiosidade é que Juan continua atuando como acompanhante de luxo e o dinheiro – revela ele – vai direto para uma poupança que será usada para abrir seu próprio negócio no futuro.

Depois de meses de negociação, ele concordou em conceder a entrevista que vocês leem com exclusividade aqui:

Você é um dos novos rostos do pornô mundial, sem dúvidas um dos mais promissores também. Há, de certo modo, uma expectativa do público de que você produza cada vez mais e melhor? Uma pressão, eu diria…

Graças a Deus, e depois de um início complicado na indústria pornô, hoje em dia eu posso dizer que sou um ator reconhecido e valorizado em meu ramo de trabalho. É verdade que quanto mais famoso e prestigiado nós ficamos, mais pressão também recebemos para demonstrar sempre o melhor. Para dizer a verdade, eu gosto dessa pressão. Ela me ajuda a ser melhor em cada novo trabalho.

Essa expectativa também se refere ao seu futuro. Por exemplo, as pessoas dizem que você é o novo Nacho Vidal. O que pensa disso?

É verdade. Muitas vezes as pessoas me comparam com o Nacho. Eu creio que parte disso é motivado porque nós temos sim uma semelhança física e outra parte por sermos espanhóis e termos começado de forma semelhante no pornô, trabalhando na Sala Bagdad.

Mas você se incomoda com essas comparações?

Para mim, pessoalmente, o Nacho Vidal sempre foi uma referência profissional muito grande. Eu ainda me recordo de assisti-lo quando criança na TV e pensava comigo mesmo “quero ser como esse cara”. Eu assistia seus filmes e ficava impressionado. Mas eu preciso confessar que não gosto muito dessa comparação. O Nacho é o Nacho e eu sou Juan Lucho.

Você começou a carreira com Bel Gris. Como foi trabalhar com um dos grandes nomes do pornô espanhol?

Bel Gris é uma das pessoas mais importantes em minha carreira como ator. Ele foi o primeiro a me dar uma oportunidade e eu sempre entendi que é muito difícil dar oportunidades a pessoas que você não conhece porque simplesmente você não sabe o que vai acontecer. Mas ele confiou em meu trabalho e isso eu jamais esquecerei. Além disso, eu o considero um bom amigo, uma pessoa que vale muito a pena estar por perto.

Pode dizer como foi a primeira cena?

A primeira cena foi com um trio na praia. Eu, Bel e a atriz Carla Pons. Sofri um pouquinho, estava nervoso, mas no final deu tudo certo.

Você é muito interessante como ator e transita bem pelos vários caminhos da indústria. Tanto que fez uma espécie de bromance gay, mas sem sexo envolvido, é claro. Existem limites na pornografia?

Eu tenho uma relação muito especial com o público gay em geral. Trabalhei em boates gays dançando, fui modelo de uma marca de roupa dirigida por gays, fui garoto propaganda de inúmeras festas para esse público em Barcelona, como a Gaypride e o El Circuit. Sendo assim, tenho grandes amigos nesse meio e muitos dos meus fãs são gays. Eu adoro provocá-los e gosto que desfrutem do meu trabalho. Mas a mim me encantam mesmo as mulheres. E muito.

Talvez um dia veremos Juan Lucho cruzando barreiras e adentrando o outro lado do pornô?

Essa é uma pergunta para a qual a resposta nunca me foi pensada. Levando em consideração a minha orientação sexual, heterossexual, vejo a resposta positiva como algo muito complicado.

Se você tivesse que escolher uma cena, em meio a tantas que você já gravou, qual seria a preferida?

Tenho uma boa recordação da minha primeira cena para a Private. Eu ainda era iniciante e havia gravado poucas cenas, então ainda estava aprendendo com os profissionais que me cercavam. A gravação foi com a atriz Anissa Kate e o diretor era o seu marido na época, o Alexangre Legland. Eu me recordo sempre dessa cena porque a conexão entre os dois fez eu me sentir muito bem, seguro do meu trabalho e do que estávamos gravando. A partir dali, comecei a entrar no mundo pornô como um profissional. Fizemos um grande trabalho juntos.

Como você lida com a nudez?

Sempre gostei de provocar. Antes de ser ator pornô, fui stripper e então, desde sempre, já não tinha problemas em mostrar o meu corpo. Sou completamente a favor do nudismo e adoro o exibicionismo, desse jeitinho mesmo, completamente pelado, da forma que viemos ao mundo. Não há nada de ruim ou errado em tirar a roupa.

Você acabou de voltar do Japão. O que te levou para aquelas bandas?

Sim, sim, estive no Japão neste ano, de férias. É um país incrível que sempre me chamou atenção pela cultura, pela comida e suas tradições. Também tenho interesse em tatuagens japonesas e sempre quis ter uma na minha pele. A que fiz, durante essa viagem, é uma haykka e no teatro japonês representa uma mulher corajosa que se transforma no demônio. Acho que esse foi o melhor souvenir que eu poderia trazer de lá.

Além dessa, Juan possui tatuagens no antebraço esquerdo em homenagem ao Barcelona, time do seu coração. E por favor nisso, na nádega esquerda ele tem um beijo tatuado em homenagem a um amor de verão – dizem as línguas que ele tinha 18 anos quando se apaixonou e ela, 38.

Entre os fãs do pornô no Brasil, você é bastante conhecido.. Já trabalhou para alguma empresa do país ou alguma atriz?

Morro de vontade de ir ao Brasil. Sempre foi o meu primeiro país de preferência e é questão de tempo até que eu possa visitá-lo. Amo suas mulheres, suas praias, sua alegria, o futebol, que sou um apaixonado, o jiu-jitsu, a caipirinha. Acho que é melhor eu começar a organizar uma viagem logo… Nunca trabalhei para uma produtora brasileira, mas estou seguro de que existem poucas atualmente, certo? Entre os atores brasileiros, sou muito amigo do Vinny Burgos (eu o chamo de boiola). Também tenho atrizes daí que são minhas amigas, como a Dunia Montenegro, a Anita Ribeiro e a Francys Belle.

O que poderemos esperar de Juan Lucho?

Meu maior desejo agora é produzir o meu próprio pornô. Um pornô artesanal e hardcore ao mesmo tempo, com estilo americano. Já faz um tempo que penso nisso, e cheguei até a produzir algumas coisas, mas não gostei do resultado. Nessa vida, sempre digo, é importante fracassar para tentar novamente e então sentir o gostinho do sucesso. Espero que em pouco tempo as pessoas possam desfrutar do pornô que eu particularmente gosto e que terá meu toque pessoal.

Conte algo que eu não sei. Algo novo, que esteja sua mente ou em seu coração ou que simplesmente passou pela sua cabeça agora.

Eu gostaria de dizer que as pessoas de fora do pornô acham que tudo é um mar de rosas. Tudo parece muito bonito, afinal, você ganha para fazer sexo com mulheres lindas, ganha um bom dinheiro, viaja bastante e fica famoso. Em partes, isso é verdade. Mas creio que o mais importante que existe por atrás de tudo isso, e que geralmente as pessoas não enxergam, são o esforço, a disciplina, o sacrifício e até os momentos ruins. Ninguém dá nada a ninguém nessa vida e por isso é importante ser humildade e trabalhar duro para conseguir seus sonhos.

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